quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Educando para o futuro

“Totó, sinto que não estamos mais em Kansas”. Foi com essa frase que Dorothy, no clássico O Mágico de Oz, percebeu que o lugar onde estava não era mais familiar, nem condizia com seu conhecimento. Kansas, havia ficado para trás e passara a dar lugar ao mundo desconhecido e desafiador.

A velocidade com que as coisas ocorrem tem sido determinante no processo de desenvolvimento educacional das futuras gerações que aí estão. O New York Times de domingo, por exemplo, contém mais informações fatuais numa única edição do que todo o material escrito com que contavam os leitores do século XV. O volume de conhecimento dobra a cada 20 meses e a partir do ano 2012 dobrará a cada 80 dias. A cada minuto cerca de 2.000 páginas na internet são adicionadas ao conhecimento científico. Na velocidade de processamento dos chips de computador e dos recursos de telecomunicação, novidades surgem a cada milésimo de segundo, desafiando com isso, os modelos tradicionais da educação que adotamos.

Como preparar essa nova geração para sobreviver num mundo onde cada um de nós disporá de um percentual pequeno e insignificante do conhecimento humano? Como as instituições de ensino encararão essa nova realidade? Que modelo de educação deverá ser implementado para acompanhar esse boom do conhecimento científico?

O modelo cartesiano, que atualmente é empregado na educação, é obsoleto e ultrapassado, pois prepara o cidadão para uma realidade diferente e distinta daquela ensinada na sala de aula. As disciplinas são rígidas e ortodoxas, enquanto a vida real exige do indivíduo flexibilidade e adaptação ao meio. A criatividade e o improviso é frequentemente sufocado e a genialidade do aluno suprimida, exatamente porque o sistema adere a filosofia de que o aluno precisa da média e não da excelência, tão requisitada nos dias de hoje, pelo mercado de trabalho. O profissional deste mundo moderno, não tem que ser mais aquele que sabe pouco de muito, mas sim, aquele que sabe muito de um pouco, ou seja, de uma parcela especifica do conhecimento humano.

Não há se falar em inventar a roda, para se adaptar a essa nova realidade, basta apenas desenvolver um jeito novo dela rodar mais rápida. E, esse é o grande desafio dos governantes, sobretudo dos prefeitos, que são os encarregados de ofecer a primeira e mais marcante educação do ser humano, que é a educação fundamental. É nela que será forjada a genialidade, improvisação e o espírito empreendedor dos futuros brasileiros e buzianos, que diferentemente de Dorothy, sequer saberão que deixaram o Kansas.